'Neste quarto domingo do advento, encontramo-nos com Maria. Ela é a pessoa central deste tempo de espera, pois ela foi a primeira que viveu a espera do seu filho. Quem primeiro viveu o advento foi ela. O evangelho nos apresenta a visita de Maria a Isabel (Lc 1, 39-45). Essas duas mulheres são associadas por um mesmo projeto divino. O anjo, que havia anunciado a Maria que ela seria a mãe do Salvador, tinha anunciado a ela que Isabel estava grávida e já era o sexto mês para aquela que era chamada de estéril. Maria já tinha, na anunciação, colocado toda a sua existência como serva, à disposição de Deus. A fé a faz caminhar apressadamente. Caminhar apressadamente representa a mulher que quer, na sua vida, realizar a vontade de Deus. Maria representa os pobres de Iahweh, que não têm nenhuma outra riqueza a não ser Deus e que, por isso, se confiam totalmente ao seu amor misericordioso. Papa Francisco comenta que Maria “é a mulher orante e trabalhadora de Nazaré, mas é também Nossa Senhora da prontidão, a que sai “apressadamente” (Lc 1, 39) da sua povoação para ir ajudar os outros. Esta dinâmica de justiça e ternura, de contemplação e de caminho para os outros faz dela um modelo eclesial para a Evangelização” (EG. 288). A Igreja, mãe da ternura, caminha sempre como Maria, porque a sua dinâmica é caminhar. A intimidade da Igreja com Jesus é itinerante, a comunhão reveste essencialmente a forma de comunhão missionária e, por isso, a Igreja sai para anunciar o evangelho a todos, em todos os lugares e ocasiões. Evangelizar é a missão da Igreja.
A realização da vontade de Deus é o caminho da Igreja. Por
isso, no dia da minha posse, um ano atrás, expressei o meu sonho de Igreja:
“Sonho que juntos construamos uma Igreja que seja mais Maria, que corra com
mais leveza, porque é mais evangelho e menos estruturas, é mais ação e menos
palavra, é mais anúncio e menos reuniões. Sonho com uma Igreja mais livre, que
dialoga com todos, mas temente somente a Deus e amiga do mundo”.
Maria entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel. O
simbolismo da casa de Isabel relembra a vida familiar, relembra a Igreja doméstica.
Maria entra na vida, na intimidade de Isabel e Zacarias. No encontro entre
Maria e Isabel, está inserido também um encontro simbólico entre Jesus e João
Batista. O encontro destas duas grandes mulheres significa o encontro da Antiga
Aliança e da Nova Aliança, o encontro entre a promessa e a realização da
promessa. Isabel, embora mais idosa, manifesta sua submissão a Maria: “Bendita
és tu entre as mulheres…”. A mesma realidade faz também o Batista que
“estremeceu no ventre de Isabel”, para realizar, assim, a vocação de orientar
as pessoas para Jesus.
Maria contempla, vê com seus olhos a maravilha da obra de
Deus em Isabel, pois a estéril conceber só pode ser obra de Deus. E Isabel é
impactada pela saudação de Maria: “Donde me vem que a mãe do meu Senhor me
visite, pois logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança
estremeceu de alegria no meu ventre”. (43-44). Aqui já se expressa toda a fé da
Igreja na mãe de Jesus, toda a veneração que a Igreja das origens tem por Maria
e, ao mesmo tempo, a fé em Jesus Cristo.
Maria é mãe do Filho de Deus. Senhor é o título de
Cristo. Ele ressuscitado é proclamado Senhor. Proclamar que Jesus é o Senhor
significa reconhecer a centralidade Dele na história e na vida humana.’
PALAVRA DO PASTOR
A FÉ CAMINHANTE DE MARIA
Dom Paulo Cezar
Costa
Arcebispo de Brasília – DF.
Em, 19 de dezembro
de 2021
Ana Pinto de
Miranda Bessa
À serviço
do Senhor!
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