30.9.14

O PÉ DE TARUMÃ - HISTÓRIAS DE ANINHA

                             
                                                        


                                                    8º Episódio       
                               
                                              


Na Usina Ressaca, seguindo em frente, existiam outras casas menores e mais adiante a Escola Primária .
Em frente a esse conjunto de casas do  lado esquerdo, era o curral...

O curral ocupava uma área imensa e por ele passava um córrego fluente. No curral havia pés de Tarumã, frutinha docinha e azedinha  de cor preta, sabor e cor intensas que pegávamos do chão para comer porque as árvores eram muito altas, antigas... É considerada Árvore Símbolo de Mato Grosso.



Quando chovia, nossa brincadeira preferida era correr no gramado do curral chutando a água e se molhando nela... As águas levantadas como cristais verticais transparentes eram um belo espetáculo de se ver e curtir...

A estrada de acesso à Usina tinha um pontilhão sobre o córrego . Sob o pontilhão, era o local preferido das donas de casa e mães de família para lavarem as roupas, porque além da sombra do pontilhão, havia o gramado onde as lavadeiras espalhavam as roupas ensaboadas para corar ou "quarar" e a cerca do curral, onde dependuravam as roupas lavadas e enxaguadas para  secar.

Era naquele pontilhão, que no dia 24 de junho na festa de São João Batista,  se dava “banho” na imagem do santo, uma tradição popular.  Existia a superstição de se olhar a sombra na água... Se a visse, era porque no próximo ano,o/a dono/a da sombra, lá estaria ... A Festa,  na casa da Família Festeira,   tinha  fartura de  comes e bebes e danças do siriri e cururu e era muito animada.  Violeiros com seus violões, violas de coxo, bumbos, reco-reco, etc,  cantores e outros animavam a festança ...
Era uma bela festa e  tudo corria  muito tranquilo...

Quando chegávamos à usina o que primeiro se avistava eram os canaviais e logo depois, o curral.
O curral era comprido e chegava até à rua transversal da Casa Grande.
Do lado esquerdo do curral havia um outro conjunto de casas onde moravam o mecânico, motorista do caminhão e outras pessoas que trabalhavam na usina.  Meu cunhado Antonio Caetano Fardim,, casado com minha irmã mais velha a Maci,  era filho do Mecânico   Sêo Tomaz, que tinha uma numerosa família.

                   
                            



Nesta época, minha irmã mais velha Maci tinha duas filhas Maria Augusta e Maria Cristina .  Minhas amiguinhas de infância eram também, minhas sobrinhas.
E a história prossegue no próximo capitulo.
                                              
Brasília, 30 de setembro de 2014
             Ana Miranda Bessa
Próximo Episódio, dia 06 de outubro de 2014


22.9.14

XÁ CARMEM, EM HISTÓRIAS DE ANINHA

                                           7º  Episódio  
                                      XÁ CARMEM


Na língua portuguesa utilizava-se no interior do Brasil especialmente no norte mato-grossense, a expressão “Xá” para designar “ senhora”, “dona”. Dona Carmem Ventura Batista ou Xá Carmem, é minha amada e saudosa Mãe, que já está no Céu!

Na Usina Ressaca abaixo da casa do Gerente sêo Pereira,  havia uma rua transversal que dividia o conjunto composto pela casa grande, usina e administradores, e próxima à casa do Contador/Tesoureiro, ficava  a casa de pesagem...                                                    
                                                                         
Nesse outro conjunto, atravessando a rua da casa de pesagem, moravam a Costureira Xá Carmem – minha mãe – e outras pessoas que trabalhavam na usina ou na lavoura...




Xá Carmem, costurava calça masculina com mãos de alfaiate. As calças e camisas confeccionadas por ela  não ficavam nada a dever ao de um bom alfaiate da cidade de Cáceres. Ela costurava também roupas femininas, era uma costureira completa e nos sustentou com sua profissão.

As pessoas que não tinham dinheiro para pagar as roupas, pagavam com linguiças de carne suína, pernil de carne de caça como anta,  paca, tatu inteiro, banana da terra, abóbora, batata doce, mandioca – que era enterrada para ser conservada pois não tínhamos geladeira, e outros.
Quanto à conservação das carnes mamãe as fritava na banha de porco e guardava em latas grandes de biscoito  e ali permaneciam imersas na banha. Eram usadas à medida das necessidades da culinária.
 As linguiças eram dependuradas em um varal que ficava em cima do fogão de lenha, defumando-se paulatinamente.
 Em casa tínhamos “ de um tudo” como se dizia naquele tempo por aquelas bandas.
Éramos felizes, minha mãe que também era pai criou-nos na sabedoria milenar:  amor numa mão e rigor na outra.

Nossa casa ficava na esquina e havia uma grande árvore em frente... Por ali passavam os caminhões carregados de gêneros alimentícios e outros e pessoas, com destino à Bolívia ou às suas proximidades e ficavam sob à sombra da grande árvore para comerem as suas matulas.
Como a nossa casa era estrategicamente situada  ao lado da estrada e da grande árvore,
muitas pessoas pediam para Mamãe fazer-lhes uma refeição e como Mamãe tinha de um tudo em casa, rapidinho preparava os pratos e recebia um dinheirinho a mais.



De vez em quando havia um jogo de futebol com rapazes da cidade de Cáceres e trabalhadores da Usina e aqueles, comiam a comida de Xá  Carmem... Muitos dos jogadores da cidade achavam o preço muito baixo por comida tão farta e saborosa e costumavam pagar  mais pelo que era cobrado.

A filosofia de Xá Carmem  era: é melhor ter o pouco sempre, do que não ter nada...

As confecções de roupas e comidas a precinhos baixos alegravam os clientes, e a bolsa de Xá Carmem que  sempre tinha um dinheirinho, graças a Deus!


Brasília 22 de setembro de 2014
Ana Miranda Bessa
Próximo Episódio, 2ª dia 29


10.9.14

CAÇADA ÀS POMBAS SELVAGENS - USINA RESSACA


         ‘ 

                                               
                                      

                                            6 º Episódio  
                                      
                                     POMBAS SELVAGENS



Os irmãos de Jacy, filhos de D.Xavy e sêo Pereira e outros meninos da idade deles,  brincavam de caçar pombas e se embrenhavam pela mata adentro com estilingues e fundas...

 Quando eles chegavam da pequena caçada com as pombas, a cozinheira as limpava e preparava uma deliciosa farofa , disputadíssima, porque os meninos eram adolescentes e naturalmente, famintos.


Comíamos aquela farofa com grande alegria e satisfação...  Quanto aos meninos, todos ficavam muito contentes e orgulhosos pelo sucesso da aventura realizada...

Aqui em Brasília, moro em uma região de chácaras e temos e privilégio de poder contemplar algumas pombas selvagens e vários  passarinhos, como Andorinha, Beija-flor, João de barro, Bem-te-vi, Cabeça seca, Sabiá, Alma de Gato, Carcará, Garça, etc.

Na chuva de março deste ano de 2014, filmei   cinco  pombas selvagens, aqui onde moramos, tomando  banho de chuva,  imagem que nem  Bessinha meu marido nem eu, presenciamos até então, em nossas vidas.

                                  

A lei de proteção de animais está em pleno vigor e ao lembrar-me da deliciosa farofa de pombas que comíamos animados e felizes, confesso sentir um certo constrangimento ...
 Mas os tempos eram outros...

Assim, ao ver o belo quadro com 5 pombas selvagens banhando na chuva no quintal de onde moro, sanou o meu sentimento de culpa  -  em relação das que comíamos com farinha -  da minha infância longínqua...

E Vivam as Pombas Selvagens!!!

 Nós as admiramos, amamos e respeitamos !


Brasília, 10 de setembro de 2014.
Ana Miranda Bessa
Próxima edição das Aventuras de Aninha, 2ª feira, dia 15

3.9.14

TRAVESSURAS DE ANINHA NA USINA RESSACA


                                                      
                                                       

                                                         5º Episódio: 

                                   HISTÓRIAS DE ANINHA NA USINA RESSACA
                         

 



As casas da Usina Ressaca tinham quintais individuais separados por cerca de arame farpado entrelaçado com varas finas de arbustos para que as galinhas, galos, patos, pintinhos e patinhos não transitassem entre um quintal e outro ...

 Para entrar e sair do quintal havia um pequeno portão que se mantinha fechado por uma tramela.


Para adentrar a casa da D. Xavi, esposa do seo Pereira, Gerente do Armazém,  o caminho mais curto da minha casa à casa dela, era passar pelo quintal .

Chamava-me  a atenção o Galinheiro... Lá estavam os patinhos e pintinhos amarelinhos correndo e brincando pra lá e pra cá e me chamavam a atenção ... Eu gostava muito de vê-los assim tão pequeninos e  me deliciava em pegar e acaricia-los  por causa da pluma suave de suas futuras penas.



As casas, com exceção da casa grande eram todas geminadas e compridas...
Na sala de refeições da Dona Xavi havia sempre sobre a mesa,  variadas e  belas compotas de doces. Compota  de mamão, caju, limão, laranja, goiaba, figo, etc.



 A minha vontade de comer doce era maior que o meu respeito pelo politicamente correto e eu pegava escondido doce com a mão suja de patinhos e pintinhos ...
Doce na mão eu saia pela casa e muitas vezes, pingava calda no chão, denunciando que alguém havia comido doce da compota...
Mas como o chão era calçado com tijolo, saber o que tinha acontecido ali, devia ser irrelevante...

Assim, quando vejo pessoas que têm nojo de tudo, que têm um zelo excessivo pela limpeza..., lembro-me que eu fazia aquilo ingenuamente  e ninguém sabia se uns dedinhos sujos  foram enfiados naquela sobremesa...

Claro que devemos amar a limpeza porque é para o nosso próprio bem, mas não devemos 
ser escravos dela.
Brasília, 03 de setembro de 2014
Ana Miranda Bessa
Próximo episódio, 4ª feira dia 10.


27.8.14

A USINA E SEUS CAMINHOS-HISTÓRIAS DE ANINHA


                                                                        4º Episódio 

                                         A USINA RESSACA E SEUS CAMINHOS



Com a morte inesperada de meu Pai, Mamãe resolveu ficar na Usina Ressaca.

Moramos na Ressaca por mais ou menos 4 anos.
Ainda se produzia açúcar e aguardente de cana. Está localizada à cerca de 15km da cidade de São Luiz de Cáceres – MT, estrada de terra até hoje.

                                                                              
Brasília, onde moro há mais de 35 anos, tem a forma de um avião e me faz lembrar o formato da Ressaca.

Procuro detalhar o "lay-out" da Usina, porque lá se desenrolaram os fatos marcantes de minha infância , objeto das minhas histórias...

Na Ressaca, eu andava, corria, brincava descalça pelas ruas e campos; tomava banho nos córregos, chupava cana, chutava as águas da chuva que ficavam retidas em poças nos gramados e campos; brincava de roda nas noites enluaradas ... Era tudo maravilhoso... Tudo perfeito!
    
Sobre a Usina, diz Lenine de Campos Póvoas em O ciclo do Açucar...
 (1985, p. 44-45) – UNEMAT 2011 – Ave Palavra:
“Possuía o estabelecimento a “Casa Grande” de residência do proprietário; o
edifício da fábrica, imponente, todo construído de pedra canga lavrada, com
argamassa de areia e cal, que mesmo sem ter utilizado cimento, é de uma
solidez impressionante; as casas para residência de funcionários graduados
da usina; cinco grupos de casas geminadas para moradia de “camaradas”,
depósitos; armazéns; oficina mecânica; oficina de carpintaria, etc.”
  



 Em Brasília , a Praça dos 3 Poderes  tem o formato de U, com o Congresso Nacional – central -   na curva do . Olhando  do Congresso, este é  circundado pelo Palácio da Justiça e do Governo e Ministérios ao lado direito.
Do lado esquerdo, é circundado pelo Ministério das Relações exteriores, Anexos da Câmara  e Ministérios....





Na Ressaca era semelhante: no centro do U da Ressaca eram a Oficina, a Carpintaria, e outros, tendo ao fundo destes um tanque de água represada dos córregos para gerar a energia elétrica.  



Foto Ilustrativa

 O tanque era um grande canal, todo calçado e com acabamento em tijolos onde minha irmã e suas amigas me levavam para nadar com elas e também era um local onde se podia pescar cascudo e outros peixes menores.
 Lavavam   o tanque de vez em quando para tirar a lama que se acumulava no fundo, e era uma fartura de peixes ... Pegávamos os peixes com as mãos e era uma grande diversão da criançada...


  Ao lado  esquerdo da Oficina e Carpintaria  ficava o  Prédio da Usina e próximo deste,  ficavam  o Depósito e o armazém de secos e molhados – como gêneros alimentícios, tecidos para confeccionar roupas e etc -;  as casas do Contador/Tesoureiro e do Gerente do armazém – Sr. Pereira - e outras.  O dinheiro corrente era em forma de “Vale” com valores definidos,  como as nossas notas... Estes vales,  eram emitidos pela Usina e movimentava as compras no armazém... Quando alguém necessitava de Cruzeiros, o Contador os trocava...

O Gerente do Armazém sêo Pereira era casado com Dona Xavi e tinha uma filha de minha idade de nome Jacy e mais dois meninos...
Jacy como eu, éramos as caçulinhas, as xodozinhas...
 Éramos amigas,  brincávamos juntas e as nossas famílias, eram amigas, também !


Concluindo a descrição,  agora  do lado direito do U aqui em Brasília – como eu disse acima -,   ficam os Palácios da Justiça e  do Governo. Na Ressaca, ficavam,  um outro Depósito onde se processavam a lavagem das garrafas e a Casa Grande, que ocupavam todo o lado direito da Praça.

E a  coincidência:
1ª – No Palácio da Justiça , se colocam os interesses das pessoas em ordem;
 na Usina,   as garrafas eram lavadas e colocadas em ordem;
2ª – No Palácio do Governo, fica o Presidente; na Casa Grande, o Proprietário Gestor.

Se lembrar as coisas, é repetir momentos felizes..., assim estou: muito feliz. Glória a Deus!

Não importa os tempos, não importa as pessoas, lugares e situações, o que importa, é viver cada momento da nossa vida, de forma intensa, sabendo que nada dura para sempre, porque tudo passa, só Deus não passa!

Brasília, 27 de agosto de 2014
Ana Miranda Bessa
A edição do 5º Episódio, será na próxima 4ª feira, dia 03 de setembro.  

                                   







20.8.14

OS RISCOS DA MATA - HISTÓRIAS DE ANINHA



                                   
                                   
                                           3º EPISÓDIO –  OS RISCOS DA MATA


                                                                    Foto Ilustrativa


Papai e mamãe era um casal muito  feliz!
Minha irmã mais velha, a Maci, conta que Papai tocava sanfona e cantava junto com a Mamãe em casa e nas festas das redondezas.

Eu toco teclado e canto nas Missas dominicais do Santuário São Francisco de Assis na 716 Norte e  na 1ª terça-feira do mês  na missa de Santo Antonio Galvão – Frei Galvão, na Paróquia Nossa Senhora do Lago Norte, em Brasília.
Bessa, meu marido também canta, me ajuda e me acompanha sempre, graças a Deus.

Cantar e levar  alegria aos outros é um dom de Deus e isso herdei do meu Pai e da minha Mãe. Glórias e louvores ao Senhor nosso Deus!


Como a nossa casa em Simão Nunes - propriedade da Usina Ressaca - foi  construída numa  área alta do terreno, nos permitia que víssemos as onças pardas e pintadas  do outro lado do rio Paraguai e era uma diversão contemplá-las à distância se deleitando na prainha de areia com seus filhotes. É uma imagem muito linda e querida que está na minha mente.
                                                           



Quando meu pai com os homens se afastavam para desbravar as terras, e  as onças pintadas ou pardas se aproximavam da casa, mamãe as espantava  tocando com um pau ou uma vara forte nas latas grandes, vazias,  de biscoito e bolachas que ficavam dependuradas na cerca... Foi meu Pai quem providenciou as latas e as dependurou amarradas na cerca...

A fortaleza da nossa casa era apoiada nas latas e na ajuda dos cachorros. Quando os cachorros latiam, era o sinal de que havia onças rondando por perto. Assim, com os latidos dos cachorros, minha Mãe batia nas latas na esperança de que as feras fossem embora...
O barulho era estridente e as  afastava  de perto de casa, que com certeza queriam pegar os animais domésticos...

Parecia um filme do Jurassic Park ...
Nesse momento, eu me escondia embaixo da cama...

Numa das excursões mata a dentro,  Papai comeu mel envenenado pelos índios , que ocasionou a sua morte. Os homens que trabalhavam com meu pai, desconfiados, não comeram daquele mel...
 Papai passou mal e foi levado para Cáceres às pressas, ficou hospedado na casa de Tia Theodora – parteira – prima  de meu vô Luiz Militão.  

Meu pai, desenganado pelos médicos, pediu para retornar à Ressaca onde faleceu e seus restos mortais lá se encontram no Cemitério  local, à entrada da Usina.

A Usina Ressaca atualmente é do grupo Grendene que explora a criação de gado. O cemitério foi cercado e encontra-se dentro do grande curral de pastagens.  Da década de 50, ainda permanecem o prédio da Usina e parte da casa grande.

 Mamãe quando estava  em Cáceres com Papai doente, por volta das 18 horas, sabendo da gravidade da saúde de meu Pai e angustiada com a nossa criação , na oração do Ângelus,  sentiu a presença de Nossa Senhora que lhe dizia: “ Deus lhe tirará seu marido, mas sempre a amparará...” e assim foi, graças a Deus!
Deus sempre esteve conosco e apoiou a minha Mãe viúva e a nós, seus filhos...

Quando meu pai faleceu, eu estava com 4 anos de idade.
 Desde então Mamãe preferiu ficar só.
 Deixou Simão Nunes e ficamos morando na Usina Ressaca.

 Dr. Gentil, casado com Dona Branca, era o novo sócio-administrador.

Brasília, 20 de agosto de 2014
Próximo episódio, 4ª feira, dia 27.08.14


13.8.14

HISTÓRIAS DE ANINHA: A CASA E O RIO, EM SIMÃO NUNES


                                                2º EPISÓDIO 
                            
                              SIMÃO NUNES:  A CASA  E O RIO

Os homens que papai levou para realizar a empreitada com ele, embrenhavam-se mata adentro derrubando árvores, limpando, formando pastagens pois o objetivo era esse.
Nessa época não havia preocupações com o meio-ambiente...
Devem ter construído um Alojamento para os Contratados um pouco afastado  da nossa casa, pois não me lembro...

          Foto Ilustrativa                                        

Papai fez uma casa “bonitinha” para a família, de barro e sapê com 3 quartos/sala , cozinha externa  com fogão e forno de lenha,  jirau de madeira para lavar louças, panelas e as roupas...

Ao lado esquerdo da casa fez um curral onde existiam bois e vacas, galos, galinhas e pintinhos.


Do lado direito existia uma grande clareira ...
Ali, aves silvestres como perdizes, inhambus e outras botavam  ovos e era sempre motivo de alegria para mim, meus irmãos Ninito e Maria apanharmos os ovos para fazermos quitutes...
   

                                                                                                            

       Ovos de Perdiz











                                                                                                                                                                                                         Ovos de Inhambu


Nossa casa foi construída numa área de terreno alto e  ficava em frente ao rio Paraguai.

 Um pouco à direita havia um acesso ao rio mas não tão próximo da casa.
 Meu pai  fez uma escadaria no barranco, em frente a nossa casa.

 Minha irmã Maria para ir até o rio descia a escadaria, ela  pegava a canoa e se divertia sozinha remando no rio ...
 Do barranco eu a via singrando as águas caudalosas do rio Paraguai.
 Eu não descia aquela escada porque tinha muito medo. 
Ao mesmo tempo, ao ver minha irmã ao longe  remando, me encantava, me dava medo e eu temia pela vida dela. Era instintivo!

A imagem da escada, que me assustava muito, permanece até hoje em minha mente.

Em l982, já morando em Brasília, conhecemos o artista plástico José Roosevelt 

Neste Quadro, em que foram retratados a nossa filha Cássia e o meu marido Bessa, ressalto que a nossa filha estava então com 3 anos, a mesma idade que eu tinha quando morava em Simão Nunes...

E aqui o quadro citado.
 Destaco que foi pintada a escada que me assustava no seu canto inferior direito.
                         



Adulta, tive muitos sonhos, pesadelos, com escadas e escadaria...
Sempre que esses sonhos aconteciam, eu me recolhia  em mim mesma, para saber as razões dos mesmos estarem em minha memória.

 Um belo dia, contando para o meu marido os meus sonhos e pesadelos ele lembrou-me   que a escada no barranco do rio Paraguai fazia parte das minhas lembranças à época de minha infância em Simão Nunes.

Assim pela graça de Deus, esses sonhos e pesadelos desapareceram e nunca mais sonhei nem tive pesadelos com aqueles fatos...

É impressionante como a nossa mente guarda fatos remotos que interferem de alguma forma na nossa vida adulta, quer em forma de comportamento, caráter, ou sonhos e pesadelos onde o nosso inconsciente está à mercê dos mistérios da nossa mente...

É muito importante e necessário compartilhar, não só nossas alegrias mas também nossas angústias e apreensões, com as pessoas do nosso relacionamento. 

 Deus sempre nos envia Anjos para nos ajudar...

Brasília, 13 de agosto de 2014
Ana Miranda Bessa
3º episódio: próxima Quarta-Feira, dia 20
Maria de Jesus, nesta Sexta, dia 15
                                             

5.8.14

HISTÓRIAS DE ANINHA - RESSACA/SIMÃO NUNES




Aos Leitores:

Começo a publicar a história da minha vida onde nomes, locais e fatos são verídicos.

Com relação aos meus avós e meus pais Pedro Pinto de Miranda e Carmem Ventura Batista, pouco sei a respeito deles...

O corre-corre da vida, o trabalho remunerado desde os 14 anos de idade, como Locutora, na Rádio A Voz d`Oeste  em Cuiabá Mato Grosso...

Eu tinha como objetivo primordial  estudar, porque muito cedo eu percebi sozinha, ninguém me falou, que só havia uma possibilidade de eu sair daquele extrato social ao qual eu pertencia,  que era: estudar , estudar e estudar!

Assim, pela graça de Deus cheguei a conquistar um Diploma de Bacharel em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT e uma Pós-Graduação em Planejamento a Nível Estadual - 584 horas, realizado pelo  Centro de Treinamento para o Desenvolvimento Econômico – CENDEC, na Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais, em Belo Horizonte.

Agora, Aposentada, sobra-me tempo para pesquisar as indagações sobre os meus antepassados e saí em busca delas...

Por isso compartilho com muita emoção e satisfação para o meu íntimo esta simples história que tem por finalidade,  testemunhar a presença constante e fiel de Deus em nossas vidas e deixar registrado para os meus descendentes esta história, que também é parte deles.






                                                           1º Episódio 
                                   
                                          DA RESSACA À SIMÃO NUNES

Minha mãe Carmem Ventura Batista ficou viúva duas vezes. No primeiro casamento, ela casou-se muito cedo e teve três filhos: Benedito – Tito, Maximiana - Maci e Maria José Pires Correa – Maria.

Com o falecimento do seu primeiro marido, casou-se com meu pai Pedro Pinto de Miranda e tiveram dois filhos: Valentim Pinto de Miranda – Ninito e eu, Ana Pinto de Miranda – Aninha.

Eu nasci na Usina Jacobina – município de Cáceres, Mato Grosso, na década de 40, pelas mãos da parteira cacerense Dona Teodora, prima de meu avô Luiz Militão Pinto de Miranda e por isso a tratávamos carinhosamente como  tia Teodora.

Meu pai foi convidado para ir trabalhar como Capataz na Usina da Ressaca, produtora de açúcar e aguardente de cana, localizada também no município de Cáceres - Mato Grosso.

Na Usina Ressaca, morávamos numa casa ampla, de esquina...
Minha mãe ficou grávida e deu à luz um menino nati-morto.


Dessa época, um fato me vem à mente: quando mamãe deu à luz meu irmãozinho – nati - morto,  eu tinha então dois anos de idade  e fui levada pelo meu cunhado Antonio Caetano Fardim casado com a  minha irmã Maci para a casa deles.
Lembro-me perfeitamente que ele me levou no colo, bem como lembro-me do percurso feito da minha casa à casa deles... Eu chorava muito.

As separações são sempre angustiantes e as crianças as sentem muito mais num primeiro instante, mas a Misericórdia Divina que tudo preenche, alivia e sana,  nos compensa sempre, graças a Deus!

Meu “ pai era um bom homem e muito trabalhador.” O sócio-administrador  da Usina, José Villanova Torres o incumbiu de desbravar Simão Nunes, um dos Redutos da Usina Ressaca às margens do rio Paraguai.

Papai foi à Cuiabá, Capital do Estado de Mato Grosso contratar a mão de obra pertinente e trouxe consigo 08 homens fortes para a empreitada...

Simão Nunes, na época, era uma região inóspita, rio caudaloso, matas virgens com índios selvagens, onças pardas, pintadas, cobras e outros...

Brasília, 05 de agosto de 2014

Ana Miranda Bessa

Lembretes:
 5ª feira dia 07/08, mais um capítulo de Maria de Jesus...
 3ª feira 12 -  2º Episódio das Histórias de Aninha


27.6.14

PARECE PEITO DE FRANGO EMPANADO, MAS É...



BACALHAU  DO PORTO          " GADUS MORHUA"
                         

 Aqui em casa comemos peixe toda semana, graças a Deus!
Os de água doce gostamos muito do nosso saboroso Pacu,  Surubim, Cachara, Piraputanga, Dourado mato-grossense e também de Matrinxan, da Bacia Amazônica.
Como aqui em Brasília é difícil de os encontrar, optamos pelo peixe de água salgada o Robalo, mas ultimamente estamos dando preferência ao Bacalhau do Porto, não só pelo tamanho,  pela bela cor, sabor e textura, mas também pelo preço.

Faço constantemente bacalhau do porto à portuguesa, ao azeite e alho; das sobras: risoto e misturinhas, com cebola e batata palha, souflé, etc.


Nesta sexta, inovei...


Assim quando meu marido viu o bacalhau pronto, disse que parecia peito de frango empanado, então, mais uma vez, compartilho com vocês este saboroso  “empanado”, não de peito de frango, mas, encapado de bacalhau do Porto.

                                                                                   

Cortei o bacalhau em pedaços grandes e coloquei na água para retirar o sal, deixando sempre dentro da geladeira...





Cortei em pedaços, dessalguei, retirei as escamas e espinhas, mantive a pele  deixando o bacalhau  ao ponto do sal que gostamos.



Deixei um pouco escorrendo.
 É bom deixar os pedações bem enxutos e
temperei com limão,  páprica e coentro em pó, a gosto. 

Pedaços do bacalhau já dessalgados, mas com a pele porque na pele está o colágeno e para nosso paladar, deixa a carne mais saborosa.



Após estarem temperados os pedaços do bacalhau,
Passei - os  levemente em creme de arroz, "encapei" como dizemos em Mato Grosso,
 porque este Bacalhau  é de suave textura ou seja, tem sua carne macia.


O creme de arroz além de não deixar o assado grudar na forma, sela a carne, mantendo um maior grau de umidade na mesma.


Regue uma forma com 4 colheres de azeite virgem...
Coloque os pedaços e regue com mais azeite por cima dos mesmos...

Leve ao forno previamente aquecido para assar!

                                                                                    O bacalhau encapado assim assado, e/ou frito,  fica crocante e sequinho. Nós preferimos o assado...

Para acompanhamento:
1.      Arroz com Legumes e Farofa de Maçã. 



          Brasília 27 de junho de 2014
          Comemoramos a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus
           
           Ana Miranda Bessa e Djalmir Bessa












21.6.14

PARECE ABACAXI MAS É...







                                                                                                                      MANDIOCA

Sou  matogrossense  e amo mandioca. Mandioca branca, amarela, bem macia, cozida, assada, frita,  sempre tem lugar em nossas refeições.


Há tempos tenho feito mandioca corada ao forno e em especial esta amarela, na forma como comprei e depois cortei,cozinhei e corei no forno. 

Quando meu marido a viu, perguntou: é abacaxi?

Realmente parece abacaxi e por isso resolvi exibír o nosso almoço deste sábado.

Eis os passos para preparar esta delícia:

1 - A picanha selada:
Quando selamos a carne, ela é dourada superficialmente em óleo muito quente... 
Esse procedimento, retira toda a gordura externa da picanha...
Fica um tempo escorrendo todo o óleo e é,
Embalada em papel alumínio para assar com sal grosso,  a gosto; quando assada, fica na forma um residual de gordura muito ínfimo...
A carne assim selada, mantém a  água da própria carne e trabalha a parte interna da mesma.
Ela fica mais saborosa e macia, e sem as gorduras...

2- A mandioca "in natura":







Comprei no supermercado cortada e embalada à vácuo.










 Cortei em rodelas de mais ou menos um centímetro.











Coloquei em panela com água para cozinhar.


Quando estava cozida e macia, coloquei em forma tefal com duas colheres cheias de óleo de girassol e levei ao forno para corar.

Se fosse fritar gastaria 400 ml de óleo...

Assada, somente 40 ml .






 Comidinha light que comemos à vontade, graças a Deus. 

Tenhamos todos uma excelente semana!

Brasília, 21 de junho de 2014
Ana Miranda Bessa e Djalmir Bessa